sábado, 18 de fevereiro de 2012

E DEUS AMOU A CAIM?!

Publicado originalmente em http://www.caiofabio.net


A Queda já era um fato. Seus efeitos cresciam no interior e no exterior.

Dentro havia solidão, medo, angustia, culpa...

Fora havia crescente dificuldade de comunicação instintual, diminuição dos sentidos e percepções, e sinais de desconexão com a natureza e sua criaturas...

O “apesar de tudo” se impôs e a vida continuou...

Chegara a hora da manifestação do maior caminho de adaptação e ajuste que o Universo jamais conhecera: o da sobrevivência do homem dentro do âmbito de sua própria consciência.

Iniciava-se o caminho da consciência...a vereda da sua formação...que aconteceria na contradição, na culpa, no perdão; por justiça, e por injustiça; no amor e no ódio...

Era a História...

Então, Adão fez amor com Eva, sua mulher; ela engravidou e teve um filho chamado Caim, acerca de quem ela disse: Alcancei do Senhor um varão!

Tornou a dar à luz a um filho, a quem se deu o nome de Abel.

Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra.

Houve um tempo em que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao Senhor.

Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas, e da sua gordura uma oferta a Deus.

Ora, o Senhor se agradou de Abel e de sua oferta; mas de Caim e de sua oferta não se agradou Deus.

Por esta razão irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o semblante...e andava amargo.

Então o Senhor perguntou a Caim:

Por que te iraste? e por que está descaído o teu semblante? Porventura se procederes bem, não se há de levantar o teu semblante? e se não procederes bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti virá o seu desejo; mas a ti cumpre dominá-lo.

Falou Caim com o seu irmão Abel, e lhe disse:

Vamos ao campo...

E, estando eles no campo, Caim se levantou contra o seu irmão Abel, e o matou.

Perguntou, pois, o Senhor a Caim:

Onde está Abel, teu irmão?

Respondeu ele:

Não sei; sou eu o guarda do meu irmão?

E disse Deus:

Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão está clamando a mim desde a terra. Agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão receber o sangue de teu irmão. Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra.

Então disse Caim ao Senhor:

É maior a minha punição do que a que eu possa suportar. Eis que hoje me lanças da face da terra; também da tua presença ficarei escondido; serei fugitivo e vagabundo na terra; e qualquer que me encontrar matar-me-á.

O Senhor, porém, lhe disse:

Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá a vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontrasse.

Então saiu Caim da presença do Senhor, e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden.


Há muito para se dizer sobre a narrativa acima. Mas hoje quero pensar apenas no amor de Deus por Caim.

Há figuras na Bíblia que nos parecem que existiram apenas para carregar maldições.

Caim é a primeira figura humana a tornar-se uma simbolização maligna.

Sem dúvida, no resto da Bíblia, Caim cresce como figura arquetipica da desfraternalização dos humanos.

Caim é o primeiro homem que não consegue lidar com a Graça.

O amor de Deus que afirmava a genuinidade do coração de Abel, não provocou nele nenhum tipo de auto-percepção, mas apenas de projeção irada contra Deus, e objetivamente transferida de modo odioso contra o único que poderia receber seu ódio: o irmão.

Na verdade Caim é o Judas da antiguidade. Ambos são simbolizações históricas daquilo que é mal, mas não significa que o “entendimento” que houve entre Deus e eles os tenha deixado para sempre tão cristalizados em suas próprias almas, quanto cristalizados ficaram nas simbolizações que passaram a encarnar ante os sentidos históricos dos humanos.

O que temos que compreender é que os “filhos da perdição”—como Caim e Judas—existem muito mais como uma manifestação de pedagogia histórica para nós, humanos, do que como uma fixação definitiva dessas figuras em estados eternos de perdição—como se fossem mariposas do inferno, espetadas pela agulha eterna de Deus na mais nojenta parede do inferno...empalhadas em agonias infindas...como no orgasmo amargurado de certos prega-dores...amantes do fogo do inferno.

...e se esses indivíduos, à semelhança do ladrão salvo na Cruz—sobre quem a Graça se derramou, mas nós jamais creríamos se o Evangelho não tivesse nos dito que ele está com Jesus “no Paraíso”—também tiveram sua “conversa privada” com Deus...tendo-nos sobrado apenas as suas imagens como simbolizações do mal?

Como a história é sobretudo um fenômeno de comunicação, e se serve de simbolizações para se fazer ilustrar...pessoas, cidades, nações, e geografias...ficaram marcadas na Bíblia como sendo “malignas”, sendo que as coisas e pessoas...em si...não têm que ter tido o mesmo destino maligno que sua figura histórica passou a dar face.

Um dia nós entenderemos isto com muita clareza, todos nós, e nos envergonharemos de nossas pseudo-certezas, e juízos perenes.

Na realidade o Caim que entrou para a história pelo ato de perversidade cometido contra o seu irmão, Abel, não ficou de todo destituído dos cuidados divinos.

Pois a ele disse Deus:

Que fizeste? A voz do sangue de teu irmão está clamando a mim desde a terra. Agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão receber o sangue de teu irmão. Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra.

Ante a certeza de ser amaldiçoado, Caim entrou no mais profundo de todos os medos e terrores...ele sabia que sobre ele haveria “um clamor humano” por vingança. Então se declarou amaldiçoado e perdido...confessou-se um zumbi...um andarilho prestes a morrer...dando sempre passos para alguma emboscada...enquanto andava para o nada.

Então disse Caim ao Senhor:

É maior a minha punição do que a que eu possa suportar. Eis que hoje me lanças da face da terra; também da tua presença ficarei escondido; serei fugitivo e vagabundo na terra; e qualquer que me encontrar matar-me-á.

O Senhor, porém, lhe disse, porém alardeando Sua Palavra para todos, pois é assim que Sua voz se faz ouvir:

Portanto quem matar a Caim, sete vezes sobre ele cairá a vingança. E pôs o Senhor um sinal em Caim, para que não o ferisse quem quer que o encontrasse.

Que coisa linda!

Houve misericórdia e graça até para Caim.

Quem o matasse seria sete vezes vingado...e Deus pos uma marca de proteção...um selo divino...um aviso para que ninguém se metesse entre Ele e Caim.

Ora, se houve Graça que protegesse a Caim, não haverá muito maior Graça sobre a sua vida, que está sob o Sangue da Aliança, e que descansa na justiça do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo?

Caim carregou as conseqüências históricas de seus atos, e emprestou seu nome a uma trágica simbolização. Mas não esqueçamos: isto é o que ficou para nós...para o nosso ensino...e para nos fazer ver as conseqüências de todos os atos humanos...

Todavia, ninguém sabe o que houve entre Caim e Aquele que disse que nele ninguém deveria tocar.

Os desfechos de todas as histórias humanas é um segredo divino. E sábio é todo aquele que não ousar dizer o que aconteceu.


Caio

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CONSELHOS PARA O CARNAVAL

1) Se você for viajar, por favor, se beber não dirija e se for dirigir não beba. Zele pela sua vida e pela vida dos que estarão no seu carro e também pelos outros que estarão rodando pelas rodovias do país;


2) Se você for brincar o carnaval:
A) Procure se divertir. Se for beber, faça com moderação. Seu corpo não precisa de altas doses de álcool;
B) Se você não usa drogas, continue limpo, sua mente e seu corpo agradecem;
C) Se você usa algum tipo de drogas, cuidado! São várias as informações de pessoas que morrem por overdose nessa época. Aproveite esse feriado pra tomar uma atitude e deixar de uma vez por todas. Sua vida é a melhor aventura;
D) Tenha cuidado com sexo casual, quando ele não traz consequências para o corpo, costuma trazer para a alma. Procure relacionamentos duradouros com uma pessoa que possa te acrescentar;

3) Se você vai para o retiro, faça deste um momento para meditação, oração e encontro com Deus. Agradeça a Deus por sua graça e amor! E olhe os outros com amor e carinho! Evite postar mensagens do tipo: "Eu vou para o retiro e vou ter um ótimo ano, você vai para o carnaval e seu resto de ano será ruim!" Isso além de inútil, não acrescenta nada. Ore pelos seus irmãos que estarão por aqui;


Esses conselhos são apenas o desejo de alguém que quer reencontrar os amigos na próxima quinta, com boas novidades e paz no coração!
Valeu demais! 
Beijo no coração! 
Deus em Cristo abençõe a todos! 
Paz e Bem!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Eu Tenho um Sonho

Famoso e histórico discurso de Martin Luther King

"Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação.

Cem anos atrás, um grande americano, na qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas cem anos depois, o Negro ainda não é livre.
Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação.
Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade americana e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.

De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com "fundos insuficientes".

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo.
Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia.
Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial.
Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre

. Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só.

E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, "Quando vocês estarão satisfeitos?"

Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.

Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero.

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.

Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,

De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.

Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.

Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.

Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.

Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.

Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.

Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade.

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro:

"Livre afinal, livre afinal.

Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal."

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O bêbado e a glória humana

Rubinho Pirola
Publicado em  http://www.genizahvirtual.com/ 


"Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no SENHOR." 2Co 10:17

Viajando pelo Reino Unido esta semana, fiquei assustado com as igrejas brasileiras da área de Londres.


Eu já havia dito aqui sobre essa tendência de se batizar a comunidade da fé, o que era pra ser um grupo de amigos, transformados por Deus, pela consciência do evangelho da graça - que deveria ser de graça - com os nomes dos seus dirigentes. É "Ministério Fulano de Tal", "Ministério do Apóstolo Sicrano"... e por ai vai, num horrível desfile de vaidade.


Essa coisa vai mesmo na direção do ego de gente que acha que tudo o que Deus faz por eles e através deles, tem menos que ver com a bondade de Deus do que com a sua capacidade, da sua performance e ação. O povo elogia, enaltece, baba-lhes e... eles acreditam. E aceitam os louros de outrem.


E toma-se lá a glória que era para o Senhor, para a Sua Palavra, a Sua graça e misericórdia...


Ontem, a despeito disso, me lembrava do Lazinho, um ex-aluno, feito amigo e sócio anos atrás na minha cidade... Naquela época, mesmo a compartilhar-lhe a Palavra de Deus em todo o tempo do nossa relacionamento, continuava ele a resistir a tomar uma atitude e continuava a viver a sua vidinha-besta: muito auto-engano, álcool, drogas à mistura e rock-and-roll.


Numa noite, numa mesa de botequim (tasca), assentado e tomando "umas-e-outras" com um conhecido "comerciante-por-conta-própria-do-ramo-de-drogas-ilícitas", entre um copo e outro, falava-lhe ao amigo sobre as verdades do evangelho - aquelas todas que ele ouvia mas não engolia. Não por completo.


Em pouco tempo, caiu ele, "anestesiado", bêbado sobre a mesa. O tal traficante, (Barbosinha como é conhecido), admirado com o que ouvira do "pau-d'água-pregador", toma uma decisão. Em questão de semanas, estava ele transformado, batizado e, de agente do tráfico a pregador, virara evangelista na minha comunidade. O amigo, sócio e ex-aluno, viria a deixar-se converter uns meses mais tarde e, também na mesma comunidade, vem a se tornar um pastor (e anos depois, missionário cá em Portugal comigo).


O moral da história? Simples: toda a glória de tudo de bom que fazemos, pertence a Deus. E a ninguém mais. Nada que é essencialmente bom vem de outro a não ser do Pai das luzes. Se crêsse eu na glória de alguém que toma emprestado um serviço (ministério) que afinal, não lhe pertence e, com ele faz algo de produtivo, estaria enganado por completo, doido ou embriagado. O mérito não será nunca dele próprio, como não foi, naquela noite de salvação de um agente da destruição e do vício, um... bêbado. A Palavra de Deus é que constrangeu, que causou impacto, que fez toda a diferença, independente da boca ou seja lá de onde ela saiu.


É como diziam os reformadores que deram a vida (literalmente) na obra de Deus: Soli Deo Gloria. A glória pertence somente a Deus! Que assim seja.

Uma homenagem à Martin Luther King

Último sermão de Martin Luther King Jr. para o mundo, na igreja de Ebenézer, Atlanta, na qual era pastor.


"Freqüentemente eu penso naquilo que é denominador comum e derradeiro da vida: nessa alguma coisa que costumamos chamar de "morte". Freqüentemente penso em minha própria morte e em meu funeral, mas não em sentido angustiante. Freqüentemente pergunto a mim mesmo o que gostaria que fosse dito então, eu deixo aqui com vocês, esta manhã, a resposta...
Se vocês estiverem ao meu lado, quando eu encontrar meu dia, lembrem-se de que não quero um longo funeral. E se conseguirem alguém para fazer o "discurso fúnebre", digam-lhe para não falar muito. Digam-lhe para não mencionar que eu tenho um Prêmio Nobel da Paz: isto não é importante! Digam-lhe para não mencionar que eu tenho trezentos ou quatrocentos prêmios: isto não é importante!
Eu gostaria que alguém mencionasse aquele dia em que Martin Luther King tentou dar a vida a serviço dos outros.
Eu gostaria que alguém mencionasse o dia em que Martin Luther King tentou amar alguém.
Quero que digam que eu tentei ser direito e caminhar ao lado do próximo.
Quero que vocês possam mencionar o dia em que... tentei vestir o mendigo, tentei visitar os que estavam na prisão, tentei amar e servir a humanidade.
Sim, se quiserem dizer algo, digam que eu fui um arauto: um arauto da justiça, um arauto da paz, um arauto do direito.
Todas as outras coisas triviais não têm importância. Não quero deixar atrás nenhum dinheiro.
Eu só quero deixar atrás uma vida de dedicação!
E isto é tudo o que eu tenho a dizer:
Se eu puder ajudar alguém a seguir adiante
Se eu puder animar alguém com uma canção
Se eu puder mostrar a alguém o caminho certo
Se eu puder cumprir meu dever cristão
Se eu puder levar a salvação para alguém
Se eu puder divulgar a mensagem que o Senhor deixou...então, minha vida não terá sido em vão."

Em dias de tanta desigualdade, de tanta injustiça social, precisamos de homens como esse!