quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

SEU SANTO NOME


Ven. Arc. Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes (*)


Um nome, na Bíblia, exprime o ser de uma pessoa, seu caráter, seu modo de vida, o papel que desempenha dentro do mundo. Não é sem motivo que, ao final de cada coisa criada, Deus lhe dá um nome, ou seja, um motivo de ser, a designação do que a criatura desempenhará no mundo criado. Aplicando-se aos seres humanos, vê-se o motivo de um nome ser tão significativo nas Escrituras. O nome é a própria pessoa que o recebe.

Pensemos no nome de Deus. O 3º Mandamento diz que não devemos tomar o Nome do Senhor em vão, porque Ele não terá por inocente quem assim proceder. Ora, dar um nome é dar um destino, designar um ser. Na Bíblia foi Deus quem deu Nome a Si mesmo. E o fez dizendo: “Eu-Sou”. O Deus do 3º Mandamento é o Deus eterno e presente, cujo Nome está entre nós
.
O Nome de Deus, já que foi revelado aos Seus, o foi dado para ser adorado, reverenciado e louvado. Tomar em vão este Nome exclusivo, dado para ser tratado conforme o sentido que Deus outorgou é um gravíssimo pecado. O Nome de Deus não pode ser invocado por supersticiosa defesa contra este ou aquele mau. Tomar assim o Nome de Deus é fazer a inversão do porque Ele nos deu o Seu Santo Nome. Ele nos deu o Seu Nome para que O servíssemos sob este Nome. O Seu Santo Nome não está ao nosso serviço, antes, fomos chamados a servir a este Nome.

Não se usa o Nome de Deus para as causas pessoais. Não se usa o Nome de Deus para a magia e a adivinhação, pois isso promove os milagreiros, agoureiros e adivinhadores do futuro, e não a glória do Nome de Deus. Não se usa o nome de Deus para maltratar pessoas, discriminá-las ou persegui-las, ao contrário, o Nome de Deus é sempre um nome que salva: quem o invocar será salvo.

Em nome de Deus muita coisa tem sido feita, mas para a desgraça de muitos e a promoção de uns poucos.

Não se pode usar o Nome de Deus! Somente podemos servir a este Nome Santo, Glorioso, Maravilhoso, Grandioso, Inefável, Indizível, Temível, Poderoso. E este Nome é o glorioso nome de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que Deus exaltou acima de todo o nome, para que ao Seu Nome se dobre todo o joelho no céu, na terra e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de nosso Deus e Pai.

* Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes, ofa, é Presbítero da Diocese do Recife; Pároco da Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade, em Copacabana, Rio de Janeiro; Venerável Arcediago Sul-Sudeste do Brasil; Frei da Ordem Franciscana Anglicana (OFA).
Contato: revbeto@gmail.com .


Publicado em www.dar.org.br

domingo, 4 de dezembro de 2011

Pra você que deseja aprender a ser feliz

Hoje é sexta-feira, dia em que tiro à tarde para aconselhar pessoas na igreja. Eu recebo também aqueles que precisam de ajuda no meu escritório, e estes se constituem a maioria. Acho que as pessoas não gostam de ir ao gabinete pastoral para não serem vistas, afinal, é bom sempre manter as aparências. Ou não...

O bom conselheiro é aquele que ouve muito e fala pouco. Não raras vezes, as pessoas falam por 30 ou 40 minutos e eu uso apenas 5 para me colocar. Acho curioso quando, ao final, depois de orarmos, ouço o seguinte: “pastor, foi maravilhoso vir hoje aqui, o Sr. me ajudou muito”. Dou um pequeno sorriso e despeço-me cordialmente. Na verdade, em nossa sociedade, as pessoas precisam apenas ser ouvidas...  

Curioso, mas todo mundo que vem para o aconselhamento trás uma questão em comum: deseja ser feliz. É legítimo, razoável, desejável, mas, quase nunca, alcançável, pelo menos não do jeito que eles imaginam. É que a felicidade, ao contrário do que se pensa, não é um estado perene na existência, mas uma estação sazonal. A vida é mais feita de dores e perdas do que de risos e conquistas. E isso, eu lhe garanto, se você ainda não aprendeu, aprenderá. 

Gosto muito do livro de Eclesiastes. Acho que, no velho testamento, é um dos meus preferidos. Construído em linguagem poético-sapiencial, escrito por um sábio com consciência epicurista, Eclesiastes nos chama a analisar a vida como ela é, sem disfarces, sem contornos religiosos, sem melodramas, tudo preto no branco.

É nesta perspectiva que, no capítulo 9, o filósofo-religioso nos dá alguns conselhos para alcançarmos a felicidade. Não sei se servirá para você, acostumado aos “10 passos para isto ou aquilo”, ou aos manuais de auto-ajuda, ou a teologias complexas, mas, para mim, pobre de espírito, quebrantado de coração, caiu como “uma luva”.

1º. Conselho – “Portanto, vá, coma com prazer a sua comida, e beba o seu vinho de coração alegre, pois Deus já se agradou do que você faz”. Em outras palavras, o melhor da vida está nas coisas simples. Comer é privilégio para poucos, pois nem mesmo os ricos o podem fazer. Estes estão sempre apressados, quase não tem tempo para se alimentar, comem no fast food, no Mcdonalds, pedem comida Chinesa, entregue numa caixa de papelão, e se alimentam na mesa de reunião do escritório.

Comer pão e vinho nos remete a simplicidade, e o simples, como sabemos, é o contrário do fácil. Além do mais, eles representam elementos cúlticos, ou seja, comer é dádiva de Deus, se alimentar é resultado do esforço do homem. O pão dos justos Deus o dá enquanto eles dormem, diz o salmista.

A verdade é que nós complexificamos muito a vida. Tornamos o essencial relativo, e o supérfluo essencial. Tenha certeza de uma coisa: se você conseguir se livrar da metade das contas que paga por serviços e produtos que não lhe farão falta, viverá muito melhor do que vive hoje. Bertrand Russell escreveu: “Não possuir alguma das coisas que desejamos é parte indispensável da felicidade”. Sim, se vivermos assim, Deus se agradará das nossas obras.

2º. Conselho – “Esteja sempre vestido com roupas de festa, e unja sempre a sua cabeça com óleo”.Traduzindo: viver deve ser algo prazeroso, mas, tome cuidado, a falta de equilíbrio pode fazer da existência uma experiência doentia e patológica.

Deus gosta da alegria, da festa, da música, da dança, do prazer, do riso e da satisfação. Quem disser o contrário, não o conhece, tem por referência um holograma caricaturado da sua própria projeção psicológica do sagrado, talvez associada a uma figura de autoridade próxima, não raro, um pai dominador, severo e inafetivo.

Ora, a vida nos foi dada para que a experimentássemos em todos os seus matizes, para que pudéssemos nos realizar e ter prazer e alegria. O cristianismo, infelizmente, mudou esta perspectiva que, notadamente vemos em Jesus, transformando-se numa religião asceta, que busca a ataraxia, a mortificação do eu, a sublimação do ser. Mas o que sei é que a Verdade liberta, torna-nos seres em expansão, não só do pensamento mas das sensações, pois “tudo é puro para os puros”.

O problema não está em viver com “vestes de louvor”, cingido de alegria, envolto com “ares de festas e luas de prata”. Não. O problema está no exagero, no excesso, na extravagância, no prazer pelo prazer, na tentativa de fazer a alma se saciar com aquilo que não gera a paz nem produz o bem. Por isso nossa cabeça precisa estar untada com óleo, pois óleo, neste texto, significa aquele elemento que produz cura, que sara feridas, que protege nossa consciência e nos traz de volta a razão. É o óleo do Espírito, derramado em nossos corações, que sara as seqüelas produzidas pelas experiências dolorosas da existência humana. Por isso, no que depender de você, nuca permita que ele deixe de cair sobre sua fronte.

3º. Conselho – “Desfrute a vida com a mulher a quem você ama, todos os dias desta vida sem sentido... Pois essa é a sua recompensa na vida pelo seu árduo trabalho debaixo do sol”. Aqui a intenção do autor é nos alertar que a coisa mais preciosa que temos são as relações de amor que construímos. Relacionamentos são eternos, perpassam da vida para a eternidade, tudo o mais fica aqui, pois diz o sábio, “ao morreres levarás tudo o que és e deixarás tudo o que tens”.

Apaixonar-se por alguém é o que há de melhor na vida. As pessoas mais felizes que conheço são aquelas que construíram relações duradouras, que conseguiram unir o amigo e o amante na mesma cama. Por isso o sábio diz que nem mesmo aquilo que o dinheiro pode comprar é capaz de sobrepujar-se a satisfação de se ter alguém a quem amar, alguém a quem se possa entregar a alma, o copo e a vida.

4º. Conselho – “O que as suas mãos tiverem que fazer, que o façam com toda a sua força, pois na sepultura, para onde você vai, não há atividade nem planejamento, não há conhecimento nem sabedoria”. Aqui o sábio nos chama a um encontro com o inevitável, a um encontro com o Deus Eterno!

A vida é feita de escolhas. Devemos e podemos realizar tudo aquilo que nos for possível, mas sem perder a referência de que tudo isto um dia passará e, portanto, nosso coração não deve estar naquilo que produzimos, mas em quem estamos nos tornando. Se esta perspectiva não for assumida na vida, se nossa existência se resumir a vivermos para trabalhar, e não a trabalharmos para viver, o que nos espera será apenas o nada, o não-ser, pois existir fora de Deus é tornar-se absurdo.

Para mim, isso é inferno. Inferno não é um lugar, mas um sentir. Todo texto sobre o tema é metafórico, recortado por alegorias. Quem imagina o inferno como um caldeirão com óleo fervendo e um “capeta” lhe espetando com um tridente não tem qualquer entendimento sobre a bondade e misericórdia de Deus.

Sabe o que é inferno? É toda existência que ignora a graça, é viver para si mesmo, é nunca perceber-se necessitado de perdão, é endurecer-se a tal ponto que a centelha que produz o arrependimento nunca possa ser acesa. Há tanta gente que “ama” a Deus com medo do inferno que, se chegar ao céu e descobrir que ele não existe, pelo menos do jeito que imaginam, irão reclamar de Jesus por não terem vivido a vida, mas apenas amordaçado o ser.

5º. Conselho - Já me disseram que se conselho fosse coisa boa não era dado e sim vendido. De fato, depois de 30 anos de caminhada, isso me faz todo sentido. Mas como eu recebi de graça, de graça também quero repartir. Gandhi afirmou: “Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.” Por isso, se o que disse lhe servir para alguma coisa, aplique a vida, faça o caminho, e o Caminho se fará em você. Se não te aproveitou em nada, sigas em paz.

Carlos Moreira

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Oração de A. W. Tozer

Esta oração é pronunciada por um homem chamado a ser testemunha ante as nações, e foram estas as palavras que disse ao seu Senhor no dia em que foi ordenado. Depois de os anciãos e ministros terem orado e pousado sobre ele as suas mãos, retirou-se para estar a sós com o seu Salvador, no silêncio, mais além do que os seus irmãos bem intencionados o podiam levar. E disse:

Senhor, escutei a tua voz e tive medo. Chamaste-me a uma tarefa solene numa hora grave e perigosa. Em breve abalarás todas as nações, a terra e também o céu, para que fique só aquilo que é inabalável. Senhor, nosso Senhor, aprouve-Te honrar-me chamando-me a ser teu servo. Só aceita esta honra aquele que é chamado a ser teu servo, visto ter de ministrar junto àqueles que são obstinados de coração e duros de ouvido. Eles Te rejeitaram, a Ti, que és o Amo, e não posso esperar que me recebam a mim, que sou o servo.

Meu Deus, não vou perder tempo a deplorar a minha fraqueza ou a minha incapacidade para o trabalho. A responsabilidade é tua, não minha, pois disseste: “Conheci-te, ordenei- te, santifiquei-te”, e também: “Irás a todos aqueles a quem Eu te enviar, e falarás tudo aquilo que Eu te ordenar”. Quem sou eu para argumentar contigo ou para pôr em dúvida a tua escolha soberana? A decisão não é minha, mas sim tua. Assim seja, Senhor; cumpra-se a tua vontade e não a minha.

Bem sei, Deus profetas e dos apóstolos, que, enquanto eu Te honrar, Tu me honrarás a mim. Ajuda-me, portanto, a fazer este voto solene de Te honrar em toda a minha vida e trabalho futuros, quer ganhando quer perdendo, na vida ou na morte, e a manter intacto esse voto enquanto eu viver.

É tempo, ó Deus, de agires, pois o inimigo entrou nos teus pastos e as ovelhas são dilaceradas e dispersas. Abundam também falsos pastores que negam o perigo e se riem das ameaças que rodeiam o teu rebanho. As ovelhas são enganadas por estes mercenários e seguem-nos com fidelidade, enquanto o lobo se acerca para matar e destruir. Imploro-Te que me dês olhos bem abertos para descobrir a presença do inimigo; que me dês compreensão para distinguir entre o falso e o verdadeiro amigo. Dá-me visão para ver e coragem para declarar fielmente o que vejo. Torna a minha voz tão parecida com a tua que até as ovelhas doentes a reconheçam e Te sigam.

Senhor Jesus, aproximo-me de Ti em busca de preparação espiritual. Pousa a tua mão sobre mim. Unge-me com o óleo do profeta do Novo Testamento. Impede que eu me transforme num religioso e perca assim a minha vocação profética. Salva-me da maldição que paira sombriamente sobre o sacerdócio moderno; a maldição da transigência, da imitação, do profissionalismo. Salva-me do erro de julgar uma igreja pelo número de seus membros, pela sua popularidade ou pelo total de suas ofertas anuais. Ajuda-me a lembrar-me de que eu sou profeta, não um animador, não um gerente religioso, mas um profeta. Que eu nunca me transforme num escravo das multidões. Cura a minha alma das ambições carnais e livra-me do prurido da publicidade. Salva-me da servidão das coisas materiais. Impede-me de gastar o tempo entretendo-me com as coisas da minha casa. Faze o teu terror pousar sobre mim, ó Deus, e impele-me para o lugar de oração onde eu possa lutar com os principados, e potestades, e príncipes das trevas deste mundo. Livra-me de comer demais e de dormir demais. Ensina-me a auto-disciplina para que eu possa ser um bom soldado de Jesus Cristo.

Aceito trabalho duro e pequenas compensações nesta vida. Não peço um cargo fácil. Procurarei ser cego aos pequenos processos de facilitar a vida. Se outros procuram o caminho mais plano, eu procurarei o caminho mais árduo, sem os julgar com demasiada severidade. Esperarei oposição e procurarei aceitá-la serenamente quando ela vier. Ou se, como por vezes sucede aos teus servos, o teu povo bondoso me obrigar a aceitar ofertas expressivas de gratidão, conserva-Te ao meu lado e salva-me da praga que a isso freqüentemente se segue; ensina-me a usar o que porventura receber de tal modo que não prejudique a minha alma nem diminua o meu poder espiritual. E se a tua providência permitir que me advenham honras da tua Igreja, que eu não esqueça naquela hora que sou indigno da mais ínfima das tuas misericórdias, e que, se os homens me conhecessem tão intimamente como eu me conheço a mim próprio, me retirariam tais honrarias para as darem a outros mais dignos delas.

E agora, Senhor do céu e da terra, consagro-Te o resto dos meus dias, sejam eles muitos ou poucos, consoante a tua vontade. Quer eu me erga perante os grandes quer ministre aos pobres e humildes, essa escolha não é minha, e eu não a influenciaria, mesmo que pudesse. Sou teu servo para cumprir a tua vontade. Ela é mais doce para mim do que a posição, ou as riquezas, ou a fama, e escolho-a acima de tudo o mais na terra ou no céu.

Embora eu tenha sido escolhido por Ti e honrado por uma alta e santa vocação, que eu nunca esqueça que não passo de um homem de pó e cinza com todos os defeitos e paixões naturais que atormentam a humanidade. Rogo-Te, portanto, meu Senhor e Redentor, que me salves de mim próprio e de todo o mal que eu puder fazer a mim mesmo enquanto procuro ser uma bênção para os outros. Enche-me do teu poder pelo Espírito Santo, e eu caminharei na tua força e proclamarei a tua justiça - a Tua tão somente. Anunciarei a mensagem do teu amor redentor enquanto tiver forças.

E, Senhor amado, quando eu for velho e estiver fatigado, demasiado cansado para prosseguir, prepara-me um lugar lá em cima e conta-me entre o número dos teus santos na glória eterna. Amém.

Autor: A.W. Tozer

domingo, 16 de outubro de 2011

PERDOEM-ME O DESGOSTO! ESTÁ INSUPORTÁVEL!


Por Caio Fábio

Perdoem-me, irmãos, eu confesso a tão aguardada confissão de minha boca. Sim, eu confesso que não posso mais deixar de declarar a minha alma. Para mim é questão de vida ou morte. Perdoem-me, irmãos, mas eu preciso confessar.

Sim, eu confesso…

Está insuportável. Se eu não abrir a minha boca, minha alma explodirá em mim.

É insuportável ligar a televisão e ver o culto que se faz ao Monte Sinai, que gera para escravidão. Os Gálatas são o nosso jardim da infância. Nós nos tornamos PHDs do retrocesso à Lei e aos sacrifícios. Pisa-se sobre a Cruz de Cristo em nome de Jesus. Insuportável! Seja anátema!

É insuportável ver o culto à fé na fé, e também assistir descarados convites feitos em nome de Deus para que se façam novos sacrifícios, visto que o de Jesus não foi suficiente, e Deus só atende se alguém fizer voto de freqüência ao templo, e de dinheiro aos sacerdotes do engano e da ganância. Insuportável!

É insuportável assistir ao silêncio de todos os dantes protestantes—e que até hoje ofendem os cultos afro-ameríndios por seus sacrifícios, sendo que estes ainda têm razão para sacrificar, visto que não confessam e não oram em nome de Jesus—ante o estelionato feito em e do nome de Jesus, quando se convida o povo para sacrificar a Deus, tornando o sacrifício de Jesus algo menor e dispensável. Insuportável!

É insuportável ver o povo sendo levado para debaixo do jugo da Lei quando se ressuscitam as maldições todas do Velho Testamento, e que morreram na Cruz, quando Jesus se fez maldição em nosso lugar. Insuportável!

É insuportável ver que para a maioria dos cristãos a Lei não morreu em Cristo, conforme a Palavra, visto que mantêm-na vigente como “mandamento de vida”, mas que apenas existe para gerar culpa e morte, também conforme a Escritura. Insuportável!

É insuportável ver e ouvir pastores tratando a Graça de Deus como se fosse uma parte da Revelação, como mais uma doutrina, sem discernir que não há nada, muito menos qualquer Revelação, se não houver sempre, antes, durante, depois, transcendentemente e imanentemente, Graça e apenas Graça. Misericórdia!

É insuportável ver a Bíblia sendo ensinada por cegos e que guiam outros cegos, visto que nem mesmo passaram da Bíblia como livro santo, desconhecendo a Revelação da Palavra da Graça do Evangelho de Deus. Insuportável tristeza!

É insuportável ver que os cristãos “acreditam em Deus”, sem saber que nada fazem mais que os demônios quando assim professam, posto que não estamos nesta vida para reconhecer que Deus existe, mas para amá-Lo e conhecê-Lo. Insuportável desperdício!

É insuportável enxergar que a mensagem do Evangelho foi transformada em guia religioso, no manual da verdade dos cristãos, mais uma doutrina da Terra. Insuportável humilhação!

É insuportável ver os que pensam que possuem a doutrina certa jamais terem a coragem de tentar vivê-la como mergulho existencial de plena confiança, mas tão somente como guia de bons costumes e de elevados padrões morais. Insuportável religiosidade!

É insuportável ver gente tentando “estudar Deus”, e a ensinar aos outros a “anatomia do divino”, ou a buscar analisar Deus como parte de um processo, no qual Deus está aprendendo junto conosco, não sabendo tais mestres que são apenas fabricantes de ídolos psicológicos. Insuportável sutileza!

É insuportável ver que há muitos que sabem, mas que nada dizem; vêem, mas nada demonstram; discernem, mas em nada confrontam; conhecem, mas tratam como se nada tivesse conseqüências… Insuportável…

É insuportável ver que se prega o método de crescimento de igreja, não a Palavra; que se convida para a igreja, não mais para Jesus; e que a cada cinco anos toda a moda da igreja muda, conforme o que chamam de “novo mover”. Insuportável vazio!

É insuportável ouvir pastores dizendo que o que você diz é verdade, mas que eles não têm coragem de botar a cara para apanhar, mesmo que seja pela verdade e pela justiça do evangelho do reino de Deus. Insuportável dissimulação!

É insuportável ver um monte de homens e mulheres velhos e adultos brincando com o nome de Deus, posando de pastores, pastoras, bispos, bispas, apóstolos e apostolas, sendo que eles mesmos não se enxergam, e não percebem o espetáculo patético no qual se tornaram, e o ridículo de suas aspirações messiânicas estereotipadas e vazias do Espírito. Insuportável jactância e loucura!

É insuportável ver Jesus sendo tratado como “poder maior” e não como único poder verdadeiro. Insuportável idolatria!

É insuportável ver o diabo ser glorificado pela freqüência com a qual se menciona o seu nome nos cultos, sendo que Paulo dele falou menos de uma dúzia de vezes em todas as suas cartas, e as alusões que Jesus fez a ele foram mínimas. No entanto, entre nós o diabo está entronizado como o inimigo de Cristo e o Senhor das Culpas e Medos. E, assim, pela freqüência com a qual ele é mencionado, ele é crido; e seu poder cresce na alma dos humanos, a maioria dos quais sabe apenas do Medo da Lei, e nada acerca da Total Libertação que temos da Lei e do diabo na Graça de Jesus, que o despojou na Cruz. Insuportável culto!

É insuportável ver seres humanos sendo jogados fora do lugar de culto por causa de comida, bebida, cigarro, roupa, sexualidade, ou catástrofes de existência. Isto enquanto se alimenta o povo com maldade, inveja, mentira, politicagem, facções, e maldições. Insuportável é coar o mosquito e engolir o camelo!

É chegada a hora do juízo sobre a Casa de Deus!

De Deus não se zomba, pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará. A eternidade está às portas. Então todos saberão que não minto, mas falo a verdade, conforme a Palavra do Evangelho de Jesus.

Com tremor e temor porém certo da verdade de Jesus

Caio

domingo, 2 de outubro de 2011

O que é Desatualização Espíritual?


Por Marcello Cunha


O que é Desatualização Espíritual?
É não aceitar o Vinho Novo por achar que o velho é excelente.

O que é Desatualização Espiritual?
É ainda achar que o mandamento vigente seja "amar o próximo com a mesma logística pela qual amamos a nós mesmos".

Fazer assim é como insistir em usar Windows 95 numa época pré-Windows 8, e ainda com a desculpa: "essa é a mais lúcida maneira para que eu inicie saudável e equilibradamente a minha interação com o mundo informático".

Novo mandamento foi dado: "Amar o próximo da maneira como fomos amados por Jesus".

Atualize seu Windows Espiritual. Uma nova e viva Janela já nos foi aberta. Olhe a vida por ela!


O que é Desatualização Espiritual?
É continuar junto ao tanque de Betesda, crendo na lenda que diz que, de tempos em tempos um anjo passa por ali e mexe na água. E o anjo é como alguns chefes de algumas empresas: adoram estimular e assistir a competição entre os seus subordinados. Por isto, o anjo de Betesda só cura o primeiro doente que cair na água mexida.

E aí vale tudo: vigilância de 24hs, equipe de suporte, rasteira, pescoção e voadora.

Mas Jesus já não disse pra levantar, andar e sair daí? Quem quer ser curado de verdade faz assim. Ou há quem não queira e prefira viver em betesda pra sempre? Hum... se Jesus perguntou "Queres ser curado?" é porque há quem de fato não queira.

Ei! Se atualize! Levanta e anda! 

O que é Desatualização Espiritual?
É quando líderes de comunidades religiosas e cantores-músicos se auto-denominam "Levitas".

1 - Levita é quem nasceu em Israel e descende da tribo de Levi.

2 - Jesus, que é aquele que nos chamou e em quem tudo que cremos se centraliza, não descendeu da tribo de Levi, antes era da tribo de Judá.

3 - Jesus foi feito sumo-sacerdote não segundo a tribo de Judá, e muito menos segundo a tribo de Levi. Ele foi feito Sumo-Sacerdote, Mediador Eterno, conforme a Ordem de Melquisedeque, que é uma personagem histórica que nem judeu era, e que representa uma ordem superior a toda e qualquer cultura da terra.

E o que você ainda está fazendo aí, olhando pro Antigo Testamento e para a cultura judaica?

Não Levite. Não bóie.

Atualize-se! Coloque o pé no chão fundamental e olhe pro Autor e Consumador da Fé!

O que é Desatualização Espiritual?
É ainda acreditar que a salvação não é pela Graça e não é aceitada por meio de fé.

Sim, é acreditar que a salvação vem de nós mesmos, e não é Dom de Deus.

É se gloriar do seu próprio esforço, auto-preparação e justiça própria, a fim de poder dizer: "Deus, eu fiz por onde! Fui um servo fiel! Dá-me a glória que me cabe!"

É achar que o sacrifício do Cordeiro Eterno não é em si suficiente para nos salvar, e rejeitar a idéia de que, qualquer resposta que venhamos dar a esse sacrifício e qualquer transformação operada na gente, é tão somente poder de gratidão por termos sido amados sendo nós absolutamente indignos.

Sim, Desatualização Espiritual é planejar um dia ser digno perante Deus. É a ansiedade e a neurose de Caim, lavrador e floricultista, que constrói na vida um altar de performances, um show da fé, uma edificação estética fascinante, cores maravilhosas, cheiros suaves e aceitáveis. Caim é como o fariseu da parábola de Jesus, que se orgulhava das suas orações, dízimos e edificações.

Pra depois ser carcomido pelo ódio que olha pro irmão simples, dependente, e que só é capaz de mencionar no altar uma só coisa: a necessidade absoluta de um Cordeiro Imolado. E faz um sacrifício feio, visceral, mas cheio da Verdade da Confissão Eterna: Eu preciso todos os dias de um Redentor.

Abel é como o publicano da parábola de Jesus, que não ergue a cabeça, e só diz: Sê propício a mim pecador. Esse é sempre ACEITO E SAI JUSTIFICADO, como disse Jesus.

Este é o indivíduo atualizado no Espírito do Evangelho.

O que é Desatualização Espiritual?
É ainda acreditar que Deus habite em templos feitos por mãos de homens, e que esses templos sejam "Casas da Moeda", como era o Templo Estatal do antigo Israel, para onde deveriam ser levados todos os dízimos, que eram tributos de uma nação com política teocrática.

É desconsiderar que o coração quebrantado é o lugar onde Deus habita. E desconsiderar que Jesus e ...o Novo Testamento inteiro tratam dízimos e ofertas de uma maneira totalmente diferente da maneira tratada na época antiga do profeta Malaquias.

É ir pro templo, como quem vai pra um gabinete de um poderoso político de Brasília, levando um pacote de dinheiro para uma negociação escusa e que seja instrumento de barganha num acordo que vise a algum enriquecimento, poder, sucesso, vantagem e status.

É não saber ainda que, conforme o Novo Testamento, aqueles que são gratos e alegres, exercitam generosidade em causas dignas, todo tipo de causa digna, com toda liberdade, sem forçassão de barra ou imposição de medo. Investimentos que especialmente são feitos em gente, não em objetos. E sem mediação obrigatória de sacerdote humano algum. Pois em Jesus, Hoje, todos são sacerdócio real.

É não saber ainda que, quem é lúcido e sábio, quando possível, fica com 10% da renda e aplica todo o resto no rio da vida, no amparo, na cura, na provisão, no acolhimento, no cuidado, no plantio...

Na esperança de que o pão lançado na água não se perde, retorna. Num dia, que a gente não sabe qual é, sempre retorna. Na natureza, nada se perde, tudo se transforma. Ora, só a alegria de lançar o pão já vale o exercício. E os peixinhos ficam agradecidos e crescem em saúde e número.

Ofertar sem ambicionar corpo fechado, sorte no amor, vitória nos negócios ou coroa de glória.

"A casa de meu Pai será chamada casa de oração e não covil de negócios!" - diz o dono do Chicote.

Publicado em: http://cunhandoverbo.blogspot.com